um nome de civilização – poema de vitor hedone amaral
um nome de civilização
depois de william kentridge
de noite, guindastes sonham
com o meu rosto sitiado pela ferrugem.
afinal, de que me servem os paraísos,
se tudo o que fazem é esperar pelo fim?
já que a primeira catedral foi uma pedra sozinha,
a última poderá até, quem sabe, ser este poema.
pois se uma bomba cair aqui, oh senhor,
se uma bomba aqui nos meus braços pousar…
serei eu também uma catedral?
a mim será entregue um nome de civilização?
espero.
tarde chego, atrasado para a minha morte,
e lá está você, brigando com o anjo.
que alívio: não estamos sozinhos,
ainda há alguma coisa para se dizer.
digo.


